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Como obter um crédito para empresas

Como obter um crédito para empresas

Para cada empresa e para cada cenário onde está inserida, existe um crédito ou financiamento mais adequado. As possibilidades são muitas e focamo-nos aqui nas mais comuns.

Mas, antes de começarmos a abordar o crédito para empresas, é importante relembrar-lhe a necessidade de estar atento a todas as regras. As comissões das linhas de crédito têm subido consideravelmente e as cláusulas contratuais estão cada vez mais complexas. No momento de adquirir crédito para a sua empresa, leia e releia tudo muito bem, de forma a que possa gerir os seus custos financeiros. 

6 formas de crédito para empresas

1. Financiamento via apoio público

As linhas de crédito do Estado continuam a ser das mais vantajosas, quer esteja a abrir uma empresa pela primeira vez, quer precise de ajuda para ter liquidez ou queira expandir as operações.

Existem muitas de linhas de apoio às empresas portuguesas, para diversas situações e com condições de crédito diferentes.

A melhor forma de descobrir qual o financiamento do Estado mais adequado para a sua empresa é através do site oficial do IAPMEI. Aqui pode selecionar o tipo de empresa, negócio e condições de crédito que mais se adequam às suas necessidades. A partir destes filtros, são-lhe apresentadas as melhores linhas de financiamento público.

Cada linha de crédito do Estado tem características diferentes, por isso, devem ser analisadas individualmente. Como exemplo, mencionamos as seguintes:

  • Fundo de Coinvestimento 200M: destina-se ao reforço dos capitais próprios de empresas inovadoras/tecnológicas, nas suas fases de arranque (seed, start-up, later stage venture-séries A e B). Uma das exigências para aceder a este crédito para empresas é a existência de um co-investidor. Para aceder a este fundo deve contactar a entidade gestora – PME Investimentos, S.A.
  • Linhas de apoio Covid-19: destinam-se, como o nome indica, a empresas com necessidade de crédito para fazer frente a dificuldades de tesouraria. Nos últimos meses foram criadas diferentes linhas deste género, iremos destacar a última com um valor de 1.000 milhões de euros, disponível para microempresas de qualquer setor.

2. Crédito Bancário

Aqui vamos olhar para o crédito bancário na sua modalidade mais clássica. Nos pontos seguintes, irá perceber que existem outras formas deste tipo de crédito.

Obter um crédito bancário é tanto mais fácil, quanto mais sólida for a empresa. O que torna este tipo de crédito algo difícil ou mais caro para empresas recentes.

Ao obter um crédito para a sua empresa junto de um banco está a gerar uma dívida financeira. Quando contrai esta dívida tem um prazo pré-estabelecido para a pagar com o acréscimo dos juros, comissões e outras eventuais taxas.

Estes empréstimos podem ser a curto prazo (até um ano) ou a longo prazo (superior a um ano).

As instituições bancárias tendem a preferir empresas com os quais mantenham boas relações e que tenham planos de negócios coesos – capazes de cumprir o pagamento do empréstimo.

Empresas sólidas e que procuram expandir ou financiar as suas operações são as que mais beneficiam com o crédito bancário. Obter este crédito será mais fácil e vantajoso se:

  • O negócio da empresa já é lucrativo;
  • Se o seu cash flow é seguro e forte;
  • Se procura expandir-se ou financiar uma grande aquisição (ex: instalações, equipamento, etc).

3. Linhas de crédito

Esta é uma variante mais flexível do empréstimo bancário com foco em soluções de curto prazo.

A empresa e a instituição bancária estabelecem um plafond de crédito a ser utilizado pela empresa. Consoante as necessidades de tesouraria da empresa, esta pode retirar fundos do plafond pré-estabelecido.

As linhas de crédito destinam-se a empresas já a atuar no mercado e que tenham de fazer frente a alguma insuficiência temporária e previsível de tesouraria. Por exemplo, um negócio sazonal é suscetível a estas insuficiências temporárias, daí que, caso exista necessidade, estas linhas de crédito podem ser uma solução.

4. Plataformas de crowdfunding – P2P

Crowdfunding é o termo inglês para financiamento coletivo, onde investidores individuais “emprestam” determinada quantia a um empresário para financiar um negócio. Também é possível que estas plataformas sejam designadas por P2P: peer to peer (de pessoa para pessoa).

Podemos dividir as plataformas de crowdfunding em dois tipos:

  • Crowdlending: Pessoas individuais que emprestam o seu dinheiro à empresa e receberão os valores do juro como pagamento. É o tipo de crédito mais comum para empresas. Este tipo de crédito para empresas obtém-se através de plataformas online como a Raize, a plataforma mais conhecida em Portugal e já cotada na bolsa de Lisboa. De forma muito simples, pode utilizar estas plataformas para “publicar” uma necessidade de empréstimo. Assim que esse empréstimo seja aprovado, investidores pessoais podem-lhe emprestar esse dinheiro mediante uma taxa de juro. Importa dizer que esta taxa de juro é normalmente mais baixa do que outras formas de crédito para empresas mais tradicionais.
  • Crowdfunding: Pessoas individuais doam o seu dinheiro a um projeto, seja ele uma causa social, uma ideia inovadora para um produto ou negócio, sem esperar que o valor seja devolvido. As plataformas de crowdfunding destinam-se a micro e pequenas empresas, bem como a startups. No entanto, este tipo de crédito também é interessante para empresas de dimensão média. Seguindo o exemplo da Raize, a única plataforma portuguesa, os empréstimos são concedidos para financiamento de tesouraria e investimentos, adiantamento de faturas e financiamento de startups já a atuar.

5. Capital de Risco

O Capital de Risco pode surgir de várias formas: Sociedades de Capital de Risco, Fundos de Capital de Risco ou Business Angels. Abordaremos este último mais ao detalhe no ponto 6.

É através da disponibilização de capitais próprios (destas sociedades, fundos e investidores) que é realizado o financiamento às empresas. Pode aceder ao site da Associação Portuguesa de Capital de Risco.

Estas entidades compram uma participação no capital empresas, embora seja uma participação temporária e minoritária. Através deste tipo de financiamento, para além do pacote monetário, a empresa beneficia do know how e da network da entidade investidora para criar mais valor.

Estas entidades têm o objetivo de apoiar o desenvolvimento e crescimento de jovens empresas, startups e investimentos de risco com um potencial de rentabilidade elevado.

6. Business Angels

Ainda pouco se fala dos Business Angels em Portugal, sendo quase uma realidade que pensamos ser exclusiva dos Estados Unidos. Mas é uma modalidade que também existe em terras de Camões – e que coloca capacidade financeira e mentoria à disposição das startups numa fase inicial. Através deste site, pode descobrir os business angels a atuar em Portugal.

O pitch – apresentação do potencial de negócio de uma startup – é a ferramenta a utilizar para convencer um business angel a investir na empresa.

A partir do momento que o Business Angel investe na empresa, passa a ter uma parte do capital dela. Para além desse investimento financeiro, as jovens empresas tendem a beneficiar com o know how e a network do investidor para aumentar ainda mais o seu potencial.

Os business angels estão “sempre” à procura do próximo negócio a investir, da próxima ideia inovadora. Startups a começar ou em fases críticas de crescimento são as que mais beneficiam com este tipo de financiamento.

Agora que já conhece os diferentes tipos de crédito para empresas, está na hora de avaliar se o seu plano de negócios beneficiaria de uma destas possibilidades. Mas antes de se decidir, tenha sempre em consideração que as condições de mercado mudam e que aquilo que hoje parece ser garantido amanhã deixa de o ser.

Proceda com cautela e recorra a capital externo apenas na medida do estritamente necessário. Depois, escolha o modelo de financiamento que mais se adequa às suas necessidades e faça crescer o seu negócio.


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